Publicado por
Paulo Patrício

Publicado em
01 de Outubro de 1997

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Mundo Fantasma

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The Bradleys

Peter Bagge é sem dúvida o autor de bd mais popular dos anos 90, pouco conhecidas entre nós, as aventuras dos Bradley são, no entanto, publicadas um pouco por todo o mundo em revistas de bd (há pouco tempo fiquei mesmo surpreendido quando as encontrei publicadas em sueco). Mas não é preciso ir muito longe, no filme “Kids”, de Larry Clark, logo no príncipio quando Telly, o desflorador, sai de casa de mais uma vitíma pudemos ver Casper, o alcoólico, a ler um comic: Hate. É nele que são publicadas as aventuras dos Bradleys. Ver o filme foi o mesmo que ver algumas das personagens em carne e osso, com a diferença de nas segundas não existirem limites morais. Bud se existisse, seria tal e qual Telly: adolescente, ombros descaídos, andar flutuante e cabelo despenteado, isto não nos impede de pensar que aquele nº de Hate não aparece ali por acaso, ou por moda, e suspeito mesmo que Leo Fitzgerald tenha dado muita atenção a estes elementos para compôr Telly, se é que precisou deles. Os Bradleys, uma disfuncional família americana de classe média, são Bud (ou Buddy, que é o nosso herói) um adolescente falhado, dealer, poço de acne ambulante e que gosta de cultivar amizades estranhas, Babs (irmã) uma neurótica e romântica adolescente que usa um aparelho de dentes assustador, Butch (irmão mais novo) um fervoroso e precoce patriota cujo método de guerrilha são as frequentes birras, Betty uma mãe extremosa que vive sempre à beira de um ataque de nervos, Brad um pai cinquentão viciado em sofá e televisão e que tem por lema”- Pergunta à tua mãe.”. O denominador comum desta família é o temperamento explosivo que a qualquer momento desencadeia discussões, agressões, mentiras e vinganças compulsivas, onde qualquer motivo serve para que o verniz seja estalado e se espezinhe a cara do familiar mais próximo.
Este “The Bradleys” é uma provação iniciática à saga da família, depois de o lermos passamos a entender porque é que Peter Bagge conseguiu fazer dos Bradleys uma versão doentia dos Simpsons, não só pelo tratamento que deu a cada um dos membros de uma típica família americana mas a todos os que a rodeiam. Toda iconografia americana é enxovalhada e todos os arquétipos sociais são expostos a partir do ridículo, numa amostra da sociedade americana que é feita de desajustados, falhados e idiotas. O que não deixa de ser acutilante é que esses exemplares não são só americanos, são universais.

The Bradleys
Peter Bagge
Fantagraphics Books – 152 pp, PB


1 Comentário

[...] tica como uma brilhante crónica dos anos 90 [para saber mais sobre os Bradley, consultar arquivo]. Desde aí, Hate é publicada com regularidade, ainda que hoje, sob o título Hat [...]


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